domingo, 7 de março de 2010

A construção da primeira usina nuclear no nordeste levanta dúvidas quanto aos prejuízos e benefícios que a implantação pode causar

Fonte: Infonet
Autor: Kátia Susanna

A possibilidade de implantação de uma usina nuclear no Estado de Sergipe levanta questionamentos quanto os prejuízos ao meio ambiente, o destino do lixo nuclear, a segurança das usinas, entre outros. Durante visita a usina de Angra dos Reis, localizada no Rio de Janeiro, a equipe do Portal Infonet, conversou com engenheiros e assistiu a uma palestra com o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro da Silva. Com base nesses depoimentos e com informações da assessoria de comunicação da empresa, preparamos algumas perguntas e respostas sobre o tema.

Como é o funcionamento de uma usina nuclear?
Uma usina nuclear funciona como uma usina térmica convencional; só que, para gerar o calor, não usa combustão de carvão, óleo ou gás. A matéria-prima da usina é o urânio, que é extraído no Brasil, em sua maioria da mina de Caetité, na Bahia. Os elementos combustíveis das usinas são compostos por varetas cheias de pequenas pastilhas cerâmicas de dióxido de urânio.

Qual o grau de segurança das usinas nucleares?
As usinas nucleares possuem sistemas de segurança redundantes, independentes e fisicamente separados, em condições de prevenir acidentes e, também, de resfriar o núcleo do reator e os geradores de vapor em situações normais ou de emergência. Na situação improvável de perda de controle do reator em operação normal, esses sistemas independentes de segurança entram automaticamente em ação para impedir condições operacionais inadmissíveis.

Quais são as principais diferenças entre a central de Chernobyl e as usinas de Angra?
O reator acidentado na central de Chernobyl (tipo RBMK1000) difere dos reatores construídos no Brasil (PWR) não apenas no seu princípio físico de funcionamento, mas, também, nas principais características construtivas.

Qual o destino dos rejeitos radioativos?
Os rejeitos ou popularmente conhecidos como lixo nuclear são classificados de baixa, média e alta atividades. Os rejeitos de baixa atividade como: papéis, plásticos, vestimentas, etc, são compactados antes da deposição final. Os de média atividade como filtros, resinas, concentrado do evaporador e outros materiais que sofreram contaminação, são solidificados ou imobilizados em materiais inertes, tal como o concreto ou o betume. Os rejeitos de alta vida longa e, como geram quantidades consideráveis de calor, necessitam de resfriamento por no mínimo 10 anos.

Qual o grau de perigo que os rejeitos oferecem para as pessoas e o meio ambiente?
Não há risco. O nível de radiação é mantido abaixo dos padrões nacionais e internacionais que garantem a proteção dos trabalhadores, da população e do meio ambiente. Para tanto, a Eletronuclear faz medições constantes no local e os resultados são avaliados periodicamente pela Comissão Nacional de Energia Nuclear e por organismos internacionais. Desta forma, a probabilidade de ocorrência de um acidente é muito remota, devido, primeiramente, à forma de acondicionamento do rejeito.

Quanto tempo os rejeitos precisam ficar armazenados para deixar de causar ameaça à população?
A atividade dos vários elementos radioativos guardados varia de segundos até vários anos. Durante todo esse período os rejeitos estarão adequadamente acondicionados e monitorados.

Quais as vantagens ambientais de uma usina nuclear sobre as usinas térmicas convencionais?
No Brasil, como também em outros países, as hidroelétricas já tiveram grande parte do seu potencial economicamente aproveitável esgotada. A construção de novas usinas ocasionaria inundação de grandes áreas, destruindo-as e destituindo o local da flora e da fauna originais, o que causaria a perda da biodiversidade e de terras cultiváveis, provocando danos ambientais irreparáveis e influenciando diretamente o clima da região. Em apenas 30 anos, a participação da energia nuclear na produção de energia elétrica chegou a 17%, tornando-se a 3ª fonte mais utilizada do mundo.

Como é monitorado o meio ambiente para saber se não há risco?
Uma equipe de biólogos, químicos e técnicos, do Laboratório de Monitoração Ambiental, vem realizando sistematicamente, desde 1978, análises de amostras do ar (particulado e água de chuva), de origem marinha (água, peixes, algas, areia e sedimentos), de águas de rios e terrestre (leite de vaca, pasto, solo e banana). São realizadas, também, medidas diretas dos níveis de radiação ambiental. A área onde é lançado o efluente térmico permanece sendo um criatório de peixes e de outros organismos da cadeia alimentar.

A energia nuclear é uma tecnologia viável e sustentável no Brasil?
Sim, por vários aspectos. Primeiro porque a opção nuclear permite a geração confiável de uma energia ambientalmente limpa, que não contribui para o efeito estufa, e não é afetada pelas variações climáticas. Além disso, a energia nuclear faz uso de um combustível de origem nacional, o que permite minimizar vulnerabilidades no abastecimento e proteção contra a volatilidade dos preços, não estando sujeito a flutuações no mercado internacional.

Quais aspectos serão analisados para definir a localização das novas centrais nucleares?
Os padrões atuais que norteiam uma eventual seleção de sítios para novas usinas nucleares são extremamente rigorosos e prescrevem pesquisas e análises sob vários aspectos distintos. Em primeiro lugar certas condições prévias precisam existir para que se dê início ao processo de seleção. O novo projeto deve se justificar sob a ótica empresarial, ou seja, deve ser viável economicamente. Deve existir mercado consumidor para a nova energia, a macroregião deve ser identificada e haver concordância prévia de organizações públicas e regulatórias.

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